O Rio Grande do Sul sediou, nesta terça-feira (13), a primeira abertura nacional da colheita de canola e carinata, em Ijuí. O evento reuniu representantes do setor público e da cadeia produtiva, na casa da 3tentos na Expofest Ijuí, para destacar o potencial econômico das culturas. A canola dobrou a área cultivada no Estado em relação a 2025.
A área destinada à canola no RS em 2026 chega a 353.397 hectares, ante 174.394 hectares no ano anterior. A produção inicialmente projetada é de aproximadamente 572 mil toneladas, com produtividade média estimada em 1.619 quilos por hectare.
As projeções indicam crescimento de aproximadamente 100% na área cultivada e na produção em relação a 2025. Os resultados efetivos, entretanto, dependem das condições das lavouras e do andamento da colheita, que enfrenta perdas pontuais provocadas por granizo, vendavais e doenças.
Para o secretário da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), Márcio Madalena, o avanço dos biocombustíveis abre oportunidades para ampliar a produção agrícola e fortalecer a cadeia da canola no Estado.
“Essa demanda industrial pode impulsionar a produção agropecuária e ampliar o aproveitamento das áreas cultivadas no inverno. Nesse cenário, a canola e a carinata são importantes alternativas para diversificar as culturas e fortalecer a matriz produtiva do Estado”, ressaltou Madalena, ao destacar o potencial de fornecimento de matérias-primas para a produção de biodiesel e de combustíveis sustentáveis para a aviação.
Para Jerônimo Goergen, presidente da Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio) e da Associação das Empresas Cerealistas do Brasil (Acebra), o avanço da canola representa uma oportunidade de gerar mais renda para os agricultores e fortalecer a produção nacional de combustíveis renováveis. “A canola é um dos produtos no Brasil que nos possibilitam alimento e energia, e não alimento ou energia”, destacou Goergen, defendendo o aproveitamento da cultura para gerar mais valor dentro do país.
Além de oferecer uma alternativa às culturas tradicionais de inverno, como o trigo, a canola permite ampliar o aproveitamento da produção agrícola. O óleo extraído dos grãos pode ser destinado à fabricação de biodiesel, enquanto o farelo resultante do processamento é utilizado na alimentação animal.
O desafio, na avaliação da Aprobio, é garantir que a expansão das lavouras seja acompanhada pelo desenvolvimento do mercado consumidor, com planejamento e maior integração entre agricultores, cerealistas e produtores de biocombustíveis.
“A previsibilidade é fundamental para o agronegócio. É importante consolidar a produção da matéria-prima, mas também já conectar isso às empresas cerealistas ou produtoras de biocombustível. Não vejo outro cenário para termos renda efetiva no campo”, afirmou Goergen.
Câmara Setorial
O secretário anunciou ainda a instituição da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Oleaginosas e Biodiesel, por meio de instrução normativa. O colegiado será um espaço de diálogo entre o setor produtivo e o poder público para discutir estratégias de desenvolvimento da cadeia, incluindo a definição da data de abertura da colheita de canola em 2027.
O presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Canola (Abrascanola), Vantuir Scarantti, disse que a expansão da cultura depende da integração entre os diferentes elos da cadeia produtiva.
“O nosso desafio é ampliar esse crescimento, fortalecendo não apenas o mercado de óleo para biocombustíveis, mas também o de farelos e proteínas. Para isso, precisamos da participação conjunta de produtores, indústria, empresas apoiadoras e poder público, com o objetivo de expandir a cultura e consolidar seu desenvolvimento até 2030”, afirmou.
























