A empresária e lobista Roberta Luchsinger, investigada por tráfico de influência, corrupção, lavagem de dinheiro e fraudes, falou sobre sua relação com Fábio Luís Lula da Silva. Chamado de Lulinha, ele é filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que negou qualquer interlocução com ela (veja nota no final do texto).
As declarações de Roberta foram feitas à CNN Brasil, em reportagem veiculada na noite deste sábado (17). Na entrevista, ela manifestou o desejo de fazer uma delação premiada e que não pouparia ninguém nas denúncias.
— Vou fazer uma delação premiada, porque não serei eu o boi de piranha que tanto querem colocar tudo em cima de mim — disse Roberta à CNN Brasil.
Questionada sobre quais elementos apresentaria aos investigadores, Roberta afirmou que está proibida, por decisão judicial, de falar sobre a investigação.
A lobista comentou as críticas tecidas por Lula contra ela. Em agosto, durante entrevista à TV Globo, o presidente chamou Roberta de “pilantra” e a comparou com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, investigado pela fraude do Banco Master. A empresária disse estar sofrendo ameaças desde as falas de Lula, a quem responsabilizou pelos ataques:
— Durante todo esse processo, eu venho sendo imensamente agredida. Porém, no momento em que o presidente da República põe ao ar para mais de 200 milhões de telespectadores falar que eu era uma pilantra por uma, duas, três vezes, eu tive que tomar a minha própria defesa, porque eu venho sendo constantemente ameaçada de morte.
— Eu queria deixar colocado, classificado, que qualquer coisa que acontecer comigo ou com as minhas filhas, vai ter a digital do presidente da República, vai ter a mão do presidente da República, vai ter o “X” de sangue que ele fez na minha testa — disse Roberta.
Relação com o filho de Lula
A lobista falou de supostos encontros que diz ter presenciado entre o filho do presidente, alvo de três inquéritos da Polícia Federal (PF), e integrantes do governo. Segundo ela, Fávio Luís esteve em reuniões com ministros “inúmeras vezes” e que o presidente Lula mentiria ao negar encontros do filho com auxiliares:
— Eu só sei que Lula continua mentindo e sendo mau caráter e aproveitando da imprensa nacional para induzir o telespectador, o eleitor, seja lá como ele queira chamar, ao erro.
Roberta reafirmou ter sido amiga de Fábio Luís, e que o presidente Lula estava ciente da relação entre os dois.
Quem é Roberta Luchsinger
Roberta Luchsinger se tornou investigada pela Polícia Federal (PF) por suspeita de tráfico de influência no governo em conjunto com Fábio Luís Lula da Silva, filho mais velho do presidente.
Roberta teria acertado ações com o empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, para “abrir portas” no governo federal e prospectar negócios. A PF investiga se essas ações tinham o apoio de Fábio Luís, que chegou a ter uma viagem a Portugal paga pelo Careca do INSS para conhecer um projeto de cannabis medicinal.
A lobista teria ido mais de 40 vezes a órgãos do governo federal sem que sua presença fosse registrada nas agendas oficiais de autoridades, entre 2023 e 2025.
A empresária teria relação com o ex-chefe de gabinete da Presidência Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola. O antigo assessor de Lula admitiu ter recebido pagamento da empresária em um “empréstimo pessoal contraído e já quitado”.
Na entrevista à CNN Brasil, Roberta negou ser uma operadora do esquema do INSS e disse nunca ter mantido contratos públicos.
O que disse Lula
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou, em nota, que jamais manteve interlocução com a empresária Roberta Luchsinger.
“Como já esclareceu em outras ocasiões, o presidente Lula jamais manteve qualquer conexão com Roberta”, disse Lula. “É importante ressaltar que não existe nenhum contrato do governo federal com Roberta. Causa estranheza que essas declarações sejam lançadas justamente as vésperas do segundo turno da eleição”, afirmou.
Segundo o presidente da República, o Brasil viu em outros processos eleitorais a divulgação de denúncias sem comprovação.
“A repetição desse expediente representa uma tentativa irresponsável de tumultuar o processo democrático e interferir na livre escolha dos eleitores”, conclui o texto.















