Uma transformação decisiva para a mobilidade e o escoamento da produção agrícola e industrial no Sul do Brasil está prestes a sair do papel. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) prepara para o segundo semestre de 2026 o lançamento do edital de licitação para a construção da ponte sobre o rio Uruguai, obra que ligará definitivamente o Noroeste do Rio Grande do Sul ao Extremo Oeste de Santa Catarina.
A nova travessia ligará os municípios de Barra do Guarita (RS) e Itapiranga (SC) ao longo do traçado da BR-163. Com investimento total estimado em R$ 379 milhões, a iniciativa vai substituir o antigo sistema de travessia por balsas, além de eliminar a necessidade de longos desvios rodoviários.
Estrutura moderna e novo complexo viário
O projeto abrange muito mais do que a estrutura sobre as águas. A futura ponte terá 1,2 quilômetro de extensão e virá acompanhada de um grande complexo de acessos rodoviários nas duas pontas:
- Lado catarinense (Itapiranga): Implantação de um contorno viário de 8,5 quilômetros.
- Lado gaúcho (Barra do Guarita): Construção de uma variante de 4,5 quilômetros.
Ao todo, serão 13 quilômetros de novas vias pavimentadas integradas à nova ponte. O modelo de contratação adotado pelo DNIT será o de licitação semi-integrada, no qual a empresa vencedora assume tanto a elaboração do projeto executivo quanto a execução das obras. O processo de licenciamento ambiental já tramita junto ao Ibama.
O fim das rotas longas e da dependência da balsa
Atualmente, quem precisa cruzar a divisa estadual na altura de Itapiranga depende do transporte por balsa ou precisa realizar desvios que aumentam significativamente a distância percorrida.
Para evitar a balsa, os motoristas que saem de Itapiranga rumo ao território gaúcho precisam percorrer cerca de 88 quilômetros até a travessia entre Palmitos (SC) e Iraí (RS), na BR-158. No sentido inverso, partindo de Barra do Guarita, o trajeto rodoviário alternativo até alcançar Santa Catarina pode chegar a 105 quilômetros.
Com a concretização do empreendimento, o tempo de viagem e o custo do frete terão uma redução drástica, beneficiando diretamente as empresas e os passageiros que transitam diariamente entre as regiões.
Impulso direto à economia regional
Além do ganho imediato na trafegabilidade, a expectativa é de que o novo eixo viário impulsione o desenvolvimento socioeconômico regional. O Noroeste gaúcho e o Extremo Oeste catarinense possuem forte vocação agroindustrial e comercial, demandando um fluxo contínuo de suprimentos e produtos acabados.
Documentos do projeto básico apontam que a eliminação do gargalo logístico vai ampliar a competitividade das indústrias locais e fortalecer a integração entre os municípios fronteiriços, consolidando a BR-163 como um dos corredores mais estratégicos do Sul do país.
























