A 49ª Expointer foi lançada oficialmente nesta segunda-feira (17), no Palácio Piratini, com a expectativa de que a feira volte a funcionar como termômetro para os investimentos no agronegócio. Um dos principais testes estará no Parque de Máquinas, que chega à edição deste ano depois de uma queda de cerca de 49% nos negócios em 2025 e terá na disponibilidade de crédito uma das principais variáveis para uma possível recuperação.
Primeira grande mostra do setor após o lançamento do Plano Safra 2026/2027, a Expointer será realizada de 29 de agosto a 6 de setembro, no Parque Estadual de Exposições Assis Brasil, em Esteio.
O Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas no Rio Grande do Sul (Simers) considera a feira um teste da capacidade de transformar a intenção de compra dos produtores em novos investimentos.
O número de empresas de máquinas expositoras ainda não está fechado, mas a tendência é de redução em relação às 150 que participaram em 2025. A área ocupada, porém, deverá ser mantida, já que algumas empresas ampliaram o tamanho de seus estandes, segundo o Simers.
“O que esperamos é que as linhas de crédito estejam plenamente operacionais e acessíveis durante a Expointer. Se o financiamento chegar efetivamente ao produtor, teremos um ambiente muito favorável para impulsionar os negócios e estimular novos investimentos”, afirma o presidente da entidade, Claudio Bier.
Em 2025, máquinas e implementos movimentaram R$ 3,77 bilhões durante a Expointer, cerca de 49% abaixo dos R$ 7,39 bilhões registrados no ano anterior. O Simers relaciona o ambiente ainda cauteloso à baixa rentabilidade das principais culturas, diante da combinação entre preços pressionados das commodities e custos elevados de produção.
Para o governador Eduardo Leite, embora a renegociação das dívidas dos produtores rurais já esteja em andamento, nos termos da MP 1.376, ainda há muito a ser debatido e melhorado no texto. Ele acredita que a feira irá sediar muitas discussões em torno do tema. “Acredito que possamos melhorar o texto antes de ir a votação pelo Congresso para atender melhor os anseios do setor.” Leite ainda reforçou o discurso pela prorrogação da suspensão do pagamento da dívida do RS com a União para investir em irrigação.
A feira terá cerca de 2 mil expositores e mais de 400 eventos e atrações ao longo dos nove dias. A programação reúne produção animal, máquinas e implementos agrícolas, agricultura familiar, inovação e tecnologia, atividades técnicas, negócios e atrações culturais. Nos pavilhões de animais, estarão representadas mais de 150 raças.
A presença dos animais de argola, que participam dos julgamentos morfológicos, cresceu nesta edição. Foram 5.756 inscrições, 12,7% acima das 5.107 registradas em 2025 e o maior número desde 2012. Entre as atrações estão ainda o tradicional Desfile dos Campeões e a programação de julgamentos, leilões e provas.
Edição terá compensação de emissões
Entre as iniciativas previstas para este ano está a neutralização das emissões de gases de efeito estufa contabilizadas na feira. O processo levará em conta emissões relacionadas ao consumo de energia e água, à geração de resíduos e ao transporte de animais.
O trabalho será realizado pela CRVR, empresa selecionada por edital público da Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema), e começará pela elaboração de um inventário das principais fontes consideradas na contabilização. As emissões serão convertidas em toneladas de dióxido de carbono equivalente (tCO?e) e o volume apurado será compensado com créditos de carbono certificados. Segundo o governo do Estado, o processo seguirá metodologia internacional do GHG Protocol.
Na prática, a classificação da feira como neutra em carbono não significa ausência de emissões durante os nove dias de evento, mas a compensação daquelas contabilizadas no inventário por meio da aquisição de créditos certificados.
Agricultura familiar reúne 509 expositores
Tradicional destaque de público e vendas na mostra agropecuária, o Pavilhão da Agricultura Familiar chegará à 27ª edição com 509 expositores de 218 municípios gaúchos. Do total, 400 são agroindústrias familiares, 74 trabalham com artesanato e 28 com plantas, mudas e flores. Entre os empreendimentos de artesanato, oito são indígenas e três quilombolas.
A participação também inclui 265 jovens envolvidos em processos de sucessão rural, enquanto 179 empreendimentos são conduzidos por mulheres. Em 2025, as vendas no Pavilhão da Agricultura Familiar superaram R$ 13 milhões.
Entre as estruturas voltadas ao público, o Expointer 360º, ferramenta digital de orientação dos visitantes pelo parque, estará novamente disponível nesta edição. O Pavilhão Internacional receberá ainda o Querência Inclusiva, espaço destinado a pessoas autistas e neurodivergentes e seus familiares. O local terá ambiente de convivência, área infantil, sala de regulação sensorial e orientação às famílias.
A Expointer chega à 49ª edição depois de superar, pela primeira vez, a marca de 1 milhão de visitantes. Em 2025, 1.010.020 pessoas passaram pelo Parque Assis Brasil, recorde histórico da feira.



















