Uma família de Cruz Alta busca esclarecimentos depois de receber restos mortais que não seriam de mulher sepultada em 2021. A prefeitura instaurou uma sindicância para apurar inconsistências na identificação da ossada. De acordo com o relato da filha, que pediu para não ser identificada, a situação começou em abril de 2026, quando a família tentou transferir os restos mortais da mãe, que morreu aos 43 anos em março de 2021, em decorrência da covid-19, para um jazigo familiar, ambos no Cemitério Municipal de Cruz Alta.
O pedido, porém, foi negado pela administração do cemitério, que argumentou que, por se tratar de um sepultamento realizado durante a pandemia, seria necessário aguardar até 2027 devido a possibilidade de contaminação. No início de outubro, uma pessoa que não faz parte da administração informou a família que os restos mortais da mulher haviam sido retirados da gaveta.
Ao chegar no cemitério, a filha recebeu uma sacola identificada com o nome da mãe e, ao abrir, encontrou uma dentadura e estruturas metálicas fixadas aos ossos — itens que a mulher sepultada nunca usou em vida. Além disso, a filha relata que, ao verificar o local onde a mãe teria sido sepultada, descobriu que a gaveta já estava ocupada por outra pessoa. A família afirma que não foi avisada previamente sobre a retirada dos restos mortais.
Cemitério levantou hipótese de troca de corpos no sepultamento
Depois de constatar as diferenças, a administração do cemitério levantou a possibilidade de uma troca de restos mortais. À filha foi dito que outras pessoas foram sepultadas no mesmo dia que a mãe, o que abre margem para que os restos mortais dela estivessem em outra gaveta. A família diz que pretende buscar na Justiça a responsabilização do Município, à frente da administração do cemitério.
Até o momento, não há confirmação pericial sobre a identidade dos restos mortais entregues à família, nem sobre o paradeiro da ossada da mulher. A prefeitura de Cruz Alta, por sua vez, prestou solidariedade à família e informou que abriu uma sindicância e que adota providências administrativas e medidas judiciais cabíveis para regularizar a situação.
O caso foi registrado na Polícia Civil. O delegado Ives Trindade, que recebeu a ocorrência, informou que, com os elementos disponíveis no momento, não há indícios de crime. Contudo, solicitou informações ao município.








