Internada no Hospital Divina Providência, em Frederico Westphalen, no norte do Estado, Bruna Vitória Palhares, 21 anos, aguarda desde quinta-feira (24) por uma vaga de UTI neonatal. Gestando pela primeira vez, ela está grávida de 29 semanas e enfrenta uma gestação de risco com prematuridade extrema.
O caso veio à tona após uma decisão judicial de urgência do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS), que determinou o transporte imediato da paciente para uma UTI neonatal pelo SUS.
Diante da falta de vagas na rede pública, a liminar estabeleceu um prazo de 12 horas para que o Estado e o Município custeiem a internação em um hospital privado, sob pena de multa diária de R$ 5 mil e bloqueio de valores. O documentou venceu nesta quinta-feira (24), ao meio-dia. A jovem aguarda com apreensão um local para que consiga ter um parto adequado.
— Eu só quero que meu filho nasça em um lugar seguro — diz.
Bruna apresenta um quadro clínico grave, com início de trabalho de parto prematuro. Ela necessita de suporte adequado para o tratamento de urgência e, como a vaga não foi disponibilizada de imediato, a família decidiu recorrer à Justiça.
Falta de leito é recorrente
Presidente da Associação Pró UTI Neonatal e Pediátrica (AUNP-RS), Clayton Braga afirma que a escassez de leitos na região é recorrente. Ele recorda que o caso mais grave ocorreu em novembro de 2024, quando um bebê morreu por falta de atendimento.
Conforme Braga, a entidade foi criada justamente para combater as falhas no acompanhamento obstétrico e a carência de vagas na rede pública de Frederico Westphalen:
— O município precisa de uma UTI neonatal, isso vai ajudar muito a região. São mais de 190 quilômetros até Passo Fundo e pelo menos 148km até Erechim e está tudo sobrecarregado. Segundo nossos indicadores da região, de 10 bebês, quase 4 são prematuros. É uma emergência muito grande.
A reportagem contatou a Prefeitura Municipal de Frederico Westphalen e até o momento não teve retorno. Espaço segue aberto para posicionamento.
























