Indígenas da Terra do Guarita, reserva localizada entre os municípios de Redentora, Tenente Portela e Erval Seco, denunciam a falta de acesso à saúde. Eles relatam ausência de medicamentos básicos e estrutura precária nos postos das comunidades. Maior do sul do Brasil em extensão e população, na Terra Indígena Guarita vivem cerca de 8 mil indígenas dos povos Guarani e Kaingang.
A área conta com 12 Unidades Básicas de Saúde (UBS), que, segundo os moradores, apresentam sinais de abandono. “Nós estamos enfrentando bastante problema dentro da saúde indígena. Então todos os caciques do Rio Grande do Sul começaram a cobrar”, afirmou Valdones Joaquim, cacique da Terra Indígena do Guarita.
Entre os problemas apontados estão a falta de medicamentos básicos, como analgésicos e antitérmicos. As prateleiras estariam vazias e chegariam apenas insumos inadequados, como óleo mineral e produtos para caspa. As reclamações incluem ainda presença de mofo no teto, banheiros sem pia e chuveiros improvisados. Há vidros quebrados, pisos danificados e rachaduras nas paredes.
“Chega uma criança com febre, com a temperatura alta, e você não tem um analgésico para fazer baixar a temperatura. A gente chega numa complicação extrema, que é só a urgência no hospital”, contou o técnico de enfermagem Noedi Fernandes de Freitas.
Ainda de acordo com o técnico de enfermagem, os insumos básicos para atendimento na reserva são cedidos pelos municípios. Porém, quando há necessidade de atendimento especializado, a falta de transporte, carro e combustível, dificulta ainda mais o trabalho.
“O atendimento está ótimo, mas as condições não favorecem a nossa comunidade. A situação está crítica dentro das unidades. É um problema recente, de dois anos para cá, e tem piorado nos últimos meses”, avaliou a antropóloga Laísa Kaigang, que acompanha a questão.
Na semana passada, lideranças indígenas e autoridades locais se reuniram para discutir o tema e solicitar a troca da coordenação do Distrito Sanitário Especial Indígena Interior Sul (DSEI/ISUL), responsável pela organização e prestação do serviço.
O que diz o Ministério da Saúde
Em nota, o Ministério da Saúde disse que acompanha a situação e que já está em andamento o processo licitatório para a manutenção do DSEI/ISUL. O novo certame vai contemplar todas as UBSs. Leia na íntegra:
“O Ministério da Saúde informa que ampliou em mais de 70% os recursos destinados ao Distrito Sanitário Especial Indígena Interior Sul (DSEI/ISUL), que passaram de R$ 77 milhões em 2022 para R$ 133 milhões em 2024.
A Secretaria de Saúde Indígena (Sesai/MS) acompanha a situação dos estabelecimentos de saúde sob sua jurisdição na região. Já estão em andamento processos licitatórios para a manutenção do DSEI/ISUL, e um novo certame está em fase de elaboração, contemplando todas as Unidades Básicas de Saúde Indígena (UBSIs) do Distrito, conforme previsto no Plano Distrital de Saúde Indígena (PDSI) 2024-2027.
Em relação à distribuição de medicamentos, a dispensação é realizada de forma rotineira. Em 2024, o DSEI/ISUL enviou 11 remessas de medicamentos ao Polo Base Guarita, totalizando 271.947 unidades. Em 2025, já foram distribuídas 178.396 unidades. O fornecimento considera o consumo médio mensal e os estoques disponíveis.
O Ministério da Saúde, por meio da Sesai, dialoga permanentemente com as lideranças e comunidades indígenas e reafirma o compromisso de ofertar atenção primária à saúde qualificada e humanizada nos territórios.”






















