Uma tecnologia desenvolvida no Rio Grande do Sul está dobrando o tempo seguro para o transporte de corações e ampliando as chances de pacientes que aguardam por um transplante no Brasil.
Criado por uma empresa de Santa Rosa em parceria com o Instituto de Cardiologia, em Porto Alegre, o equipamento reduziu o tempo de espera na fila e aumentou o número de doações.
Antes da inovação, o órgão era levado em uma caixa de isopor com gelo, o que limitava o tempo dos médicos para realizar o transplante a, no máximo, quatro horas. Com o novo dispositivo, chamado de Taura, esse tempo dobrou, permitindo que os órgãos percorram distâncias maiores entre os doadores e os centros cirúrgicos.
A sócia da fabricante Biotecno, Lidia Linck, explica que o aparelho mantém a temperatura controlada, variando de 4°C a 10°C, dependendo do órgão transportado.
“O grande diferencial do Taura é que ele possui bateria, pode ser conectado nas aeronaves e veículos, se comunica através de aplicativo e permite monitoramento da temperatura durante todo o período de transporte, para que se tenha certeza que este órgão esteve super bem armazenado”, detalha.
Embora já existam tecnologias semelhantes importadas, elas são descartáveis, o que torna o custo inviável para a realidade brasileira. O diferencial do modelo gaúcho é ser reutilizável. Em 10 meses de uso, o equipamento já viabilizou 20 transplantes de coração no Instituto de Cardiologia. A experiência também já chegou a outros três importantes centros de transplantes do país.
O diretor cirúrgico do Programa de Transplantes Cardíacos do Instituto de Cardiologia do Rio Grande do Sul, Juglans Souto Alvarez, ressalta que o dispositivo ampliou o raio de segurança do transporte aéreo para dois mil quilômetros.
“A gente pode ir a Brasília, Rio de Janeiro, até Salvador, dependendo da aeronave. A gente pega metade do Brasil com segurança e isso ampliou muito a quantidade de doadores”, afirma.
Segundo o médico, a inovação muda a perspectiva sobre a disponibilidade de órgãos no país. “A gente pode oferecer mais transplante para a população que precisa e quebrar esse mito que não adianta a gente oferecer transplante porque tem poucos órgãos. Na verdade, a gente está mostrando que no Brasil tem muitos órgãos e a gente tem que utilizar esse pool”, acrescenta Alvarez.













