O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi alvo de mandados da Policia Federal (PF) na manhã desta sexta-feira (18). O ex-presidente também foi submetido a “medidas restritivas”, autorizadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Bolsonaro fará uso de tornozeleira eletrônica, além de precisar se submeter a recolhimento domiciliar das 19h às 7h, em dias úteis, e durante todo o final de semana. O ex-presidente também foi proibido de acessar redes sociais e não poderá se comunicar com diplomatas ou embaixadores estrangeiros.
A Polícia Federal cumpriu mandados na casa do ex-presidente e em endereços ligados ao Partido Liberal (PL), legenda de Bolsonaro. A PF apontou que Bolsonaro tem atuado para dificultar o julgamento da ação penal por tentativa de golpe, que tramita no STF sob a relatoria de Moraes.
Segundo a Polícia Federal, as ações de Bolsonaro podem caracterizar crimes de coação no curso do processo, obstrução de Justiça e ataque à soberania nacional. Além das novas medidas restritivas, Bolsonaro segue com o passaporte retido.
As medidas restritivas impostas a Jair Bolsonaro são:
– uso de tornozeleira eletrônica
– recolhimento domiciliar entre 19h e 7h e finais de semana
– proibição de se comunicar com outros réus e investigados
– proibição de acesso às redes sociais
Bolsonaro diz que investigação contra ele é política e “suprema humilhação”
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) classificou como política a investigação que o levou a ser alvo de uma nova operação da Polícia Federal nesta sexta-feira (18) e resultou na imposição de medidas restritivas por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF). Em entrevista à imprensa, Bolsonaro negou que estivesse planejando deixar o país. “Nunca pensei em sair do Brasil ou ir para embaixada”, afirmou o ex-presidente, em reação às proibições impostas a ele.
“A suspeita é um exagero. Poxa, eu sou ex-presidente da República, tenho 70 anos de idade. Suprema humilhação. É a quarta busca e apreensão”, expressa Bolsonaro ao ser questionado se a tornozeleira eletrônica é resposta à carta de Donald Trump em seu apoio. Segundo Moraes, Bolsonaro agiu em conjunto com o filho, o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), para interferir em processos judiciais e fez declarações públicas que associavam sua anistia à suspensão das sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil.
Durante a operação, a PF apreendeu cerca de US$ 14 mil e R$ 8 mil em espécie na casa do ex-presidente, além de um pendrive escondido em um banheiro. O material será analisado pela polícia científica. Bolsonaro confirmou a apreensão e disse que tem recibo do Banco do Brasil referente ao dinheiro encontrado.
Ter dinheiro vivo em casa não é ilegal, mas valores superiores a US$ 10 mil devem ser declarados à Receita Federal ao cruzar fronteiras. A investigação apura suspeitas de coação no curso do processo, obstrução da Justiça e ameaça à soberania nacional.
A defesa do ex-presidente declarou que recebeu as medidas com “surpresa e indignação”, e que Bolsonaro sempre cumpriu as determinações da Justiça. O senador Flávio Bolsonaro e o deputado Eduardo Bolsonaro também reagiram, acusando o ministro Alexandre de Moraes de “abuso” e “ódio político”.
*Atualizada às 11h22min






















