O Partido Novo lançou, nesta segunda-feira (27), o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema como candidato à presidência da República. A convenção nacional do partido foi realizada em Brasília (DF).
A legenda ainda não definiu quem vai compor a chapa como candidato a vice-presidente. A convenção contou com a presença do presidente nacional do partido, Eduardo Ribeiro, e do senador Eduardo Girão, filiado ao Novo desde fevereiro de 2023.
Formado em administração de empresas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), Romeu Zema é empresário. Sua primeira disputa eleitoral foi ao governo do estado em 2018, quando saiu vencedor. Ele se reelegeu em 2022 e renunciou ao cargo em março deste ano para disputar a presidência da República.
Durante a formalização, o presidente da sigla, Eduardo Ribeiro, afirmou que Zema deixou um legado de boa gestão em Minas Gerais e que mostrou uma vida pública de integridade, coragem e competência. “Como enterramos o PT em Minas Gerais, vamos enterrar o PT (no Brasil)”, declarou o dirigente.
No sábado, durante a convenção estadual do partido Novo, em Porto Alegre (RS) o candidato elogiou o nome do ex-ministro do STF Joaquim Barbosa. “Já comentei com o ministro Joaquim Barbosa que indo ao Rio de Janeiro quero ter um encontro com ele. É um mineiro, que fez um belíssimo trabalho, reconhecido pelo combate à corrupção. Temos diversas conversas. É uma pessoa que admiro muito. Ele é o oposto de vários ministros do STF hoje. Quando esteve lá foi um ferrenho combatente da corrupção”, afirmou.
Outra possibilidade aventada é uma aliança com o Podemos, que tem entre seus filiados o empresário mineiro Geraldo Rufino, citado nominalmente pelo ex-governador como um nome cotado para a vaga de vice. A sigla comandada por Renata Abreu, no entanto, tende à neutralidade na disputa ao Planalto, o que forçaria uma chapa “puro-sangue” no Novo.
Conflitos com o bolsonarismo
Romeu Zema reiterou durante a pré-campanha que manteria sua candidatura à Presidência até o fim e descartou a possibilidade de ser vice de Flávio Bolsonaro, embora seu nome estivesse entre os considerados pela pré-campanha do senador para compor a chapa do PL.
Em maio, após a divulgação de um áudio no qual Flávio cobrava do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, parcelas relacionadas ao financiamento do filme “Dark Horse”, o ex-governador classificou o episódio como “imperdoável” e “um tapa na cara”. As declarações provocaram respostas públicas de Flávio e de integrantes da família Bolsonaro.
As críticas também foram contestadas pelos diretórios do Novo no Paraná e em Santa Catarina, onde o partido tem alianças regionais com candidatos do PL, que classificaram a manifestação de Zema como precipitada. Em junho, a direção catarinense retirou o convite para que ele participasse de um evento da legenda e afirmou que poderia se posicionar contra sua indicação como candidato à Presidência.
Candidatura não decola
Zema está distante da liderança nas intenções de voto. Na pesquisa Indexa divulgada em 21 de julho pelo Broadcast Político (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), o ex-governador aparece com 3%, empatado numericamente com o ativista Renan Santos (Missão) e atrás de Lula, com 41%, Flávio Bolsonaro, com 30%, e do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), com 6%. Em uma eventual disputa de segundo turno contra Lula, Zema registra 32% das intenções de voto, ante 46% do presidente. A diferença entre os dois é de 14 pontos percentuais. Quando questionado sobre o cenário, Zema costuma repetir que não se preocupa, já que, quando foi eleito pela primeira vez ao governo de Minas Gerais, em 2018, se tornou competitivo apenas na semana anterior ao primeiro turno.



















