--°
▲ --° ▼ --°
...

92.5 FM

Três Passos - RS

106.1 FM

Humaitá - RS

92.5 FM

Três Passos - RS

106.1 FM

Humaitá - RS

Geral

O que dizem entidades empresariais gaúchas sobre o fim da escala 6×1

Inflação, aumento de preços e necessidade de mão de obra hoje inexistente são alguns dos impactos trazidos por empresários gaúchos a partir da promulgação da medida, que passou no Senado na quarta
Foto : Camila Cunha

Entidades empresariais gaúchas manifestaram preocupação nesta quinta-feira, um dia após a aprovação, no Senado, do fim da escala 6×1 para jornadas de trabalho. A proposta de emenda à Constituição (PEC) teve maciça aceitação dos senadores, com 75 votos favoráveis e somente um contrário, do parlamentar Hamilton Mourão, do Rio Grande do Sul, e agora aguarda promulgação. A partir dela, a medida passa a valer após 60 dias.

Empresários dizem que o fim da 6×1 sem redução salarial, além de outros dispositivos aprovados no Congresso, como a redução no teto laboral semanal, de 44 para 42 horas dois meses depois de a PEC ser promulgada, e 40 horas um ano mais tarde, além da implementação da escala 5×2, vão trazer prejuízos ao consumidor final.

Entre eles, elevação de custos, inflação e necessidade de buscar mais mão de obra hoje inexistente. Conforme eles, para se adaptarem, empresas, especialmente micro e pequenas, buscarão formas flexíveis de contratação para conseguirem se manter abertas, como o trabalho por hora, enquanto muitos trabalhadores migrarão para a informalidade.

Entidades como a Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) e o Sindilojas Porto Alegre estimam em até 20% os custos a mais com pessoal com a medida em curso, algo que pressiona especialmente pequenos e médios comerciantes em um momento econômico já desfavorável e com carência de produtividade.

“Hoje, 15 milhões de pessoas trabalham em escala 6×1 e vão passar a trabalhar um dia a menos. Para manter a mesma oferta de serviços e cobrir esse dia, o país precisaria de mais três milhões de trabalhadores. A medida é tão ruim, que ela até pode ser boa, no sentido de que a sociedade vai rapidamente querer modificá-la”, disparou o presidente-executivo da Abrasel, Paulo Solmucci. Para ele, o governo federal “feriu de morte a CLT no Brasil” e a mudança na escala é uma “tragédia anunciada”.

Os supermercados sentirão o baque imediatamente, observou o presidente da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), Lindonor Peruzzo Júnior. Segundo ele, o segmento, responsável por 9% do PIB gaúcho e com 175 mil colaboradores, saberá se adaptar. Hoje, disse o presidente da Agas, quase a totalidade dos funcionários dos supermercados atua na escala 6×1. “Teremos de analisar muito bem os efeitos que esta mudança trará para os supermercados como um todo. Em certas regiões do estado, temos muita dificuldade de contratação, então será ainda maior. O supermercado poderá ter que fechar mais cedo ou abrir mais tarde em determinados lugares para poder se adaptar a esta nova realidade”, salientou Peruzzo.

O presidente do Sindilojas POA, Arcione Piva, afirma que, no final das contas, “quem pagará o preço é o próprio trabalhador”. “O pão, o leite, os ovos, a carne no supermercado vão aumentar. Não tem outro jeito, a mão de obra vai custar mais caro”, disse Piva, para quem essa adaptação poderá forçar a antecipação de investimentos em tecnologia e automação, enquanto pequenas e médias empresas, sem recursos para tal, poderão desaparecer.

“Não haveria momento pior”

As federações do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do RS (Fecomércio-RS), das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs) e Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul (Federasul) foram igualmente incisivas. “Lastimamos muito que um assunto tão importante para o país esteja sendo votado dessa forma, no fim de um mandato e entre os dois turnos de uma eleição tão acirrada. Não haveria momento pior”, disse a Fecomércio-RS.

Para o vice-presidente da Federasul, Rafael Goelzer, a União “vendeu a promessa de mais descanso sem explicar que serão todos nós brasileiros que vamos pagar essa conta”. “O governo promete reduzir quatro horas semanais, mas na verdade está obrigando o trabalhador a buscar uma segunda jornada de trabalho de oito, 12, até 16 horas pra sustentar suas famílias. Por que Brasília insiste em tratar todos como se a gente fosse igual? A federação defende liberdade pra escolher a jornada”, pontuou Goelzer.

O presidente da Fiergs, Claudio Bier, disse que a redução dos dias trabalhados, “sem medidas que garantam ganhos equivalentes de produtividade, tende a elevar os custos de produção, especialmente em segmentos industriais que operam de forma contínua ou em múltiplos turnos”. “É fundamental que as mudanças sejam implementadas com responsabilidade, diálogo e avaliação técnica dos seus efeitos sobre a produtividade, os custos e a geração de empregos”, afirmou Bier.

‘Votação a toque de caixa”

Para o presidente da Federação das Câmaras de Comércio e de Serviços do RS (FCCS-RS), Vitor Augusto Koch, a votação para o fim da 6×1 “deveria ter sido feita com análise técnica, diálogo e muita responsabilidade, e não a toque de caixa, como ocorreu”. “Acelerar uma mudança constitucional sobre a jornada de trabalho nesse momento pode causar ainda mais danos à já combalida economia brasileira, pressionada por juros altos, crédito caro e restritivo, endividamento recorde das famílias e inadimplência histórica entre as empresas”, comentou Koch.

Na visão da coordenadora do curso de Direito e da pós-graduação em Direito e Processo do Trabalho das Faculdades Integradas de Taquara (Faccat), Angela Kirschner, o texto tramitou “a galope” no Congresso, sem uma avaliação técnica aprofundada dos impactos na economia real. Para ela, empresas menores não possuem margem financeira para retirar dois dias de trabalho de seus colaboradores e contratar pessoal adicional para cobrir as folgas, tornando a adaptação inviável. “Hoje em pleno século XXI, nós ainda temos trabalho análogo à escravidão, mesmo aqui no Rio Grande do Sul. Talvez por isso, também se fez uma força para diminuir essa miserabilidade. Mas talvez pudesse vir de uma outra forma, no sentido de não impactar tanto na economia”, afirmou Angela.

 

Fonte: Correio do Povo
Compartilhe

Últimas de Geral

Encontro Raízes da Confiança homenageia ex-conselheiros que ajudaram a construir a trajetória da cooperativa

A Sicredi Confiança realizou nesta quinta-feira, 15 de outubro, o Encontro Raízes da Confiança, um momento de reconhecimento às pessoas que ajudaram a construir os 80 anos da cooperativa. O...

Suspeito de matar companheira a facadas em Barra do Guarita é indiciado pela Polícia Civil

A Polícia Civil concluiu o inquérito e indiciou por feminicídio o homem suspeito de matar a companheira Noraysis El Carmen Planche, 36 anos, em Barra do Guarita, no norte do...

Indústria de Calçados Dilly Sports fecha as portas em Crissiumal

A Dilly Sports está fechando a sua indústria de Crissiumal, conforme já era previsto e anunciado desde o mês de agosto. A planta industrial estava há alguns dias sem produzir,...

Câmara aprova aumento no limite de receita bruta do MEI

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (14), por 461 votos favoráveis e quatro contrários, o aumento do teto da receita bruta anual para enquadramento como microempreendedor individual (MEI) e...

Justiça Eleitoral inicia a preparação de urnas eletrônicas para o segundo turno das eleições presidenciais

A Justiça Eleitoral do Rio Grande do Sul iniciou na terça-feira (13) a preparação das urnas eletrônicas que serão utilizadas no segundo turno das eleições presidenciais. O trabalho ocorre simultaneamente...

Anvisa proíbe lote de tirzepatida após empresa descumprir ordem de destruição do produto

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a apreensão e o recolhimento de um lote de tirzepatida, substância utilizada em medicamentos para o tratamento da diabetes tipo 2 e...

Amazônia registra o menor desmatamento em 41 anos, aponta MapBiomas

Em 2025, a Amazônia Legal registrou o menor desmatamento da série histórica iniciada em 1985, com 693 mil hectares de desmatamento. Desse total, 639 mil hectares, ou 92%, ocorreram em...

Vazão das Cataratas do Iguaçu supera 15 milhões de litros por segundo

O Parque Nacional do Iguaçu, em Foz do Iguaçu, no Oeste do Paraná, adotou medidas preventivas de segurança diante da elevação da vazão do Rio Iguaçu, provocada pelas chuvas que...

REFIS/HUMAITÁ 2026: Prefeitura abre prazo para regularização de débitos municipais

A Prefeitura de Humaitá informa que está em vigor o REFIS/HUMAITÁ 2026, programa que oferece condições especiais para a regularização de débitos municipais. Confira os benefícios: – 95% de desconto...

Cresol Cooperar anuncia ganhadores do 7º sorteio da Campanha Cooperar é Ganhar

Em seu terceiro ano consecutivo, a Campanha Cooperar é Ganhar se consolida como a maior campanha de prêmios do cooperativismo de crédito nacional. Em 2026, a iniciativa contempla cooperados de...

A Rádio Alto Uruguai é a principal emissora de notícias e música da região Celeiro no RS. Com transmissões nas frequências 92.5 FM (Três Passos-RS) e 106.1 FM (Humaitá-RS), a rádio leva jornalismo regional, esporte e sucessos musicais a mais de 70 municípios. Ouça a programação ao vivo e fique bem informado sobre o Noroeste gaúcho.

Cinema

Teteu Severo no Cine Globo Stand-Up Comedy

Galinha Pintadinha: O Filme – Estreia!

Street Fighter – Estreia Mundial!

Categorias
Institucional
Ao Vivo