A sede da Associação dos Municípios da Região Celeiro (Amuceleiro), em Três Passos, foi palco na tarde desta terça-feira (08) de uma importante reunião de articulação e planejamento estratégico promovida pela Defesa Civil do Estado do Rio Grande do Sul. O encontro reuniu representantes de diversos municípios, comitês locais de Proteção e Defesa Civil, órgãos de segurança e entidades regionais com o objetivo de alinhar ações de prevenção, resposta e preparação frente aos eventos climáticos previstos para este segundo semestre de 2026.
Coordenado pelo Major Silvano Oliveira Rodrigues, responsável pela 5ª Coordenadoria Regional de Proteção e Defesa Civil (CREPDEC 5) — estrutura que abrange 77 municípios e quatro associações regionais no Noroeste gaúcho —, o evento integra um ciclo de reuniões preparatórias que já passou por regiões como AMM (Associação dos Municípios das Missões) e AMUFRON (Associação dos Municípios da Fronteira Noroeste), e que também será levado à AMUPLAN (Associação dos Municípios do Planalto Médio).
Segundo o Major Silvano, o diferencial da reunião realizada em Três Passos é a integração com o Grupo Interinstitucional de Gestão de Emergências e Desastres (GIGED), que reúne as chamadas “forças vivas” da comunidade e do Estado. A rede engloba a Brigada Militar, o Corpo de Bombeiros Militar, companhias de serviços essenciais, coordenadorias regionais de saúde, além de grupos voluntários.
“A ideia hoje é justamente se preparar para a questão do El Niño. O momento de trocar cartões e se conhecer é agora, e não na hora do desastre. As coisas têm que ser combinadas antes, pois no momento em que os fatos acontecem, tudo se torna mais difícil”, destacou o Major Silvano.
Alerta meteorológico e aquecimento global
Durante entrevista concedida à reportagem da Rádio Alto Uruguai, o coordenador regional ressaltou que a Defesa Civil emite boletins de monitoramento a cada três dias para garantir maior precisão às prefeituras e à população. Com a influência do fenômeno El Niño, há previsão de maior umidade e elevação das temperaturas oceânicas, o que resulta em maior evaporação e precipitações severas.
Para o mês de setembro, os prognósticos indicam volumes expressivos de chuva na região Sul do país, afetando especialmente o norte de Santa Catarina, o Paraná e o norte do Rio Grande do Sul. O Major lembrou que a severidade do clima já vem sendo sentida na prática: na última semana, temporais acompanhados de granizo atingiram diversos municípios da região do Alto Uruguai. Na cidade de Redentora, abrangida pela CREPDEC 7, mais de 400 residências foram danificadas em um intervalo de cerca de uma semana.
“Atualmente estamos no 15º aviso hidrometeorológico da Defesa Civil no ano e recém entramos no mês de setembro. Isso significa que, em média, a cada 15 dias temos uma situação de atenção na região. Antigamente se falava em temporais isolados na primavera; hoje, a frequência é quinzenal. Trata-se de uma realidade matemática, física e química impulsionada pelo aquecimento global”, explicou o oficial.
Investimentos em equipamentos e aporte de recursos
Além da capacitação técnica, o Major Silvano destacou o forte investimento na estrutura da Defesa Civil nos últimos anos. A capacidade operacional da instituição no âmbito regional quadruplicou: se antes a CREPDEC contava com apenas uma viatura, hoje dispõe de quatro veículos equipados com tecnologia avançada, incluindo antenas de comunicação via satélite Starlink para garantir conectividade em situações de colapso de redes convencionais.
No aspecto financeiro, os aportes estaduais de apoio aos municípios em situações de emergência têm alcançado números recordes. No ano passado, a regional da CREPDEC recebeu mais de R$ 22 milhões em recursos. Em 2026, os repasses já somam cerca de R$ 10 milhões para ações de resposta e assistência humanitária.
“Lamentamos que esses valores precisem ser aplicados na resposta aos desastres, quando o ideal seria destiná-los a projetos preventivos de infraestrutura. Porém, a resposta imediata é fundamental para amenizar o sofrimento da população, da agricultura e do comércio local”, concluiu o Major.










