No mês de conscientização sobre a saúde mental e prevenção ao suicídio, denominado como Setembro Amarelo, a qualidade do sono ganha destaque como um dos pilares fundamentais para o bem-estar físico e emocional. Em entrevista concedida ao programa Elas, da Rádio Alto Uruguai 92.5 FM, apresentado pela comunicadora Bruna Corrêa, a equipe do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) de Três Passos detalhou como noites mal dormidas afetam o cotidiano e deu orientações para melhorar a rotina de descanso.
Participaram do bate-papo o médico pós-graduando em neurologia, Marconi Pinheiro de Lira, a enfermeira Elisa Reisler e a psicóloga Graciela Lauermann.
O papel do sono no organismo
A enfermeira Elisa Reisler destacou que o sono é uma necessidade fisiológica básica e funciona como um “tratamento natural” que o próprio corpo realiza diariamente.
“O sono não serve apenas para descansar. Dormir bem contribui para a memória, concentração, disposição, funcionamento do sistema imunológico e, principalmente, para o equilíbrio emocional”, explicou Elisa.
A ausência de um descanso adequado pode refletir diretamente no dia seguinte com lapsos de memória, falta de foco, irritabilidade e estresse. A longo prazo, esses sintomas impactam não apenas a saúde do indivíduo, mas também suas relações sociais, familiares e de trabalho.
Sobre a quantidade ideal de descanso, a enfermeira ressaltou que as necessidades variam de acordo com a idade e o organismo de cada pessoa. Enquanto adultos necessitam de aproximadamente 8 horas por noite, idosos tendem a precisar de 5 a 7 horas. Mais do que a quantidade, ressalta a especialista, o fator determinante é a qualidade do sono.
Quando a falta de sono vira um problema médico?
Para o médico Marconi Pinheiro de Lira, é fundamental observar se a dificuldade para dormir deixou de ser uma exceção pontual e passou a ser uma constante que atrapalha o desempenho durante o dia.
“Nós geralmente começamos a considerar a insônia como um quadro clínico a partir de três meses de duração, quando ela ocorre pelo menos três vezes por semana”, explicou.
O especialista alertou para os perigos da automedicação e do uso indevido de remédios por indicação de amigos ou familiares. Ele reforçou que medicações para o sono devem ter indicação médica precisa de acompanhamento constante, pois cada paciente apresenta causas e necessidades diferentes.
“Dormir sob o efeito de um remédio inadequado pode apenas ‘apagar’ a pessoa, sem garantir que o cérebro passe pelas fases necessárias de um sono reparador. O primeiro passo para quem enfrenta dificuldades persistentes é procurar um clínico geral ou um especialista para investigar a causa da insônia”, orientou Dr. Marconi.
O que é “Higiene do Sono”?
Uma das principais estratégias para garantir um descanso de qualidade antes de recorrer a intervenções medicamentosas é a prática da higiene do sono. Elisa Reisler listou hábitos simples que ajudam a preparar o corpo e a mente para a noite:
Manter rotina de horários: Ir para a cama e acordar quase sempre no mesmo horário ajuda a regular o relógio biológico.
Evitar telas antes de dormir: Reduzir o uso de celulares, televisores e computadores de 1 a 2 horas antes de deitar. A luz branca/azul dos aparelhos prejudica a produção de melatonina (o hormônio do sono).
Cuidado com estimulantes: Evitar o consumo de café, energéticos, refrigerantes e o tradicional chimarrão no final da tarde ou à noite.
Refeições leves: Evitar jantares muito pesados próximo ao horário de ir para a cama.
Ambiente adequado: Manter o quarto silencioso, confortável e no escuro.
Exercícios físicos regulares: A prática de atividades físicas (ao menos de 2 a 3 vezes por semana) melhora o sono, desde que realizada até o início da tarde para não hiperestimular o corpo à noite.
A criação de um “ritual de relaxamento” — como ler um livro, ouvir músicas calmas e desligar aparelhos eletrônicos antecedendo o momento de deitar — é apontada pelos profissionais como uma estratégia eficiente para sinalizar ao cérebro que a hora de descansar chegou.







